Os mercados privados da corretora Trade Republic não são aquilo que pensas. Antes de investir tens de ler isto ou vais te arrepender. Tenho mais de 14 anos de experiência e encontrei várias red flags!
Se tens andado a considerar investir nos mercados privados da Trade Republic depois de veres o objetivo de retorno de 12% ao ano, o mais certo é que ainda tenhas dúvidas sobre se esta é realmente uma oportunidade exclusiva ou uma armadilha financeira bem disfarçada. Isto não é paranoia. Com tantas red flags neste produto – desde a falta total de liquidez, à ausência de proteção ao investidor e aos custos opacos – é normal ficares desconfiado sobre se os mercados privados são realmente um investimento sensato. Não interessa se procuras diversificação, exposição a ativos alternativos ou simplesmente acreditas nas promessas de rentabilidade.
Ninguém vai dizer isto. Tem de ser eu a dizer!
A Trade Republic é uma corretora bastante popular e sobre isso não há dúvidas, no entanto, a sua base de utilizadores consiste em pessoas que usam a Trade Republic como o lugar para guardar o fundo de emergência, devido ao juro de 2% por ano sobre o dinheiro parado. Logo, são pessoas que fogem do risco e apenas querem uma alternativa aos Depósitos a Prazo e Certificados de Aforro. Mas, a Trade Republic está a promover este produto como se fosse a próxima revolução do investimento e aqui está o grande problema: nem sequer têm um track record a comprovar que conseguem alcançar os 12% de objetivo alvo, depois de custos.
DISCLAIMER: Este artigo é puramente informativo e para fins educacionais. As informações fornecidas aqui não podem ser consideradas como aconselhamento financeiro ou recomendação de compra / venda.
Investir em ações envolve riscos, incluindo a possibilidade de perda de capital parcial ou total. Os resultados passados não são garantia de retornos futuros.
Este artigo pode conter links de afiliados ou conteúdo patrocinado, que ajudam a manter o blog. Nunca invistas baseado na opinião de outras pessoas. Antes de investir, faz a tua própria pesquisa!
O que NINGUÉM Conta sobre os Mercados Privados da Trade Republic?
Antes de tomares a decisão de investir nos mercados privados e bloquear o teu dinheiro, criando 1001 justificações para ignorar os 🚨 sinais de alarme, vê este vídeo onde explico as armadilhas ocultas por detrás desta estratégia controversa que pode custar-te muito mais do que imaginas. Vai poupar-te de uma decisão cara e dar-te-á uma perspetiva clara sobre os riscos reais que os mercados privados representam para investidores particulares – e ninguém fala.
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Caso não estejas interessado nesta análise crítica, a boa notícia é que existem alternativas muito melhores. Desde as minhas 3 estratégias favoritas comprovadas, investir no índice S&P500 mas protegido contra a desvalorização do dólar USD ou Como Investir no STOXX 600? A alternativa Europeia ao S&P500.
Não invistas nos Private Markets da Trade Republic, sem antes ler isto!
Existem vários artigos e vídeos sobre os private markets da Trade Republic, no entanto, nenhum revela ao pormenor como funcionam, os custos e as desvantagens, por essa razão, chegou o momento de revelar a minha opinião sobre os mercados privados da Trade Republic e mostrar as 🚩 red flags que vão mudar a tua opinião.
Disclaimer: em 2022 fui convidado para ser parceiro da Trade Republic, no entanto, optei por recusar o convite por várias razões e NÃO SOU parceiro da Trade Republic. No vídeo explico porquê.
Agora chegou o momento de falar sobre o novo produto apresentado como algo revolucionário e até investiram forte no marketing dos mercados privados, de forma a parecer que é algo exclusivo e que vai mudar o “jogo“, usando a personagem do Luciano (apresentado abaixo).

Neste momento, só estão disponíveis 2 gestoras de fundos de mercados privados:
- a Apollo – tem mais de 700 mil milhões de euros sob gestão e é um dos maiores investidores em mercados privados a nível global.
- e a EQT – é o maior fundo de mercados privados da Europa, com sede em Estocolmo e mais de 30 anos de experiência.
Na app da Trade Republic podes encontrar mais informações sobre cada uma das gestoras, assim como outras informações importantes, no entanto, falta muita informação em concreto e a própria corretora esconde os verdadeiros custos desta revolução, obrigando a abrir o KID para entender o quão absurdos são os custos.
Apollo
No ecrã do fundo de mercado privado da Apollo podes encontrar um simulador de ganhos, vários vídeos de introdução do gestor do fundo, a informação, o ISIN e ainda uma descrição muito resumida de onde é investido o dinheiro. Não indicam as empresas, apenas os setores.

Em todo o lado, a corretora Trade Republic menciona que o objetivo de desempenho é de 12% por ano, mas não indicam se inclui os custos absurdos deste fundo ou não. Se tens anos de experiência no mundo dos investimentos, sabes que o objetivo de retorno não vale nada. Até poderiam dizer que o objetivo é 20% ou 200%, que é indiferente.
Outras coisas interessantes, é que as histórias de apresentação do fundo estão em inglês e não em português, mas também os custos estão escondidos dentro do KID. Ao contrário dos ETFs, a Trade Republic não mostra os custos e a informação que os investidores não estão protegidos. Mais abaixo vais perceber a razão.
Aqui está a simulação do investimento de 10.000 euros, que está no KID. É uma lista grande de custos. Para chegar aos 12% de retorno, que é o objetivo, é necessário um retorno extraordinário para este tipo de produto e se num ano o fundo não conseguir o retorno de 12% ou até terminar com perdas, o problema torna-se ainda maior.

Como podes ver pela imagem acima do KID, existe uma série de custos absurdos, que vão dar cabo do teu dinheiro:
- Custo anual – 4.5% / ano
- Custo de entrada – 0% (mas a pessoa que vender o produto, pode cobrar comissão)
- Custo de saída – 0%
- Comissão de gestão – 2.80% / ano
- Comissão de desempenho – 1.71% (em caso de ganhos)
Se o fundo da Apollo não for capaz de gerar retornos positivos durante vários anos, mais de metade do teu dinheiro vai desaparecer em custos e comissões. Para tornar a situação pior, como tem pouca liquidez, vais estar limitado à liquidez disponível no momento. Pelo contrário, na Bolsa de Valores, desde que a bolsa esteja aberta podes vender a tua posição.
EQT
A EQT é outra das alternativas disponíveis para investir na zona de mercados privados na Trade Republic. De acordo com o site, é o maior fundo de mercados privados da Europa, com sede em Estocolmo e mais de 30 anos de experiência.

No ecrã da EQT na plataforma mobile é possível encontrar mais informações, além de histórias ao estilo do instagram, onde o gestor do fundo apresenta-se e deixa alguns detalhes básicos. Mais uma vez, o áudio e texto está em inglês, o que pode ser um entrave para que não fala ou domina o inglês. Não entendo porque os vídeos do Luciano estão com áudio e legendas em português e estes vídeos não estão.
Na área de investimentos, a EQT menciona várias empresas que deve ser onde o dinheiro do fundo deverá ser investido, no entanto, é uma informação muito básica. Mostram as empresas Idealista, PropertyGuru, Zooplus, Vinted, entre outras.
Ao pesquisar no site da EQT aparece a informação que há alguns anos já tinham começado a investir nessas empresas, por essa razão, é estranho como a Trade Republic não tem um historial de performance para partilhar com os clientes. Grande parte do crescimento dessas empresas, já deve estar implícito no fundo, o que faz com que o potencial de retorno seja razoável ou negativo. A menos que alguma dessas empresas seja vendida por valores muito superiores à sua valorização atual.
Mais uma vez, a Trade Republic não menciona na app, no ecrã da EQT os custos de investir neste fundo e nem é clara a afirmar que existe pouca liquidez e o gestor do fundo poderá negar a retirada de fundos. A única coisa em que a corretora está interessada, é em reforçar que podes investir desde 1€ e sem comissões.
É necessário abrir o KID para encontrar essa informação. Ao contrário do KID da Apollo que está em português, o documento da EQT está em inglês. Isto são os custos que deves ter em conta, para a simulação de um investimento de 10.000 euros:

O fundo EQT custos mais baixos que o fundo de mercado privado da Apollo, mas existe uma série de coisas que deves ter em conta:
- Custo anual – 2.60% por ano (ou 7.40% se sair depois de um ano).
- Custo de entrada – 0% (mas pode ser cobrado pelo vendedor)
- Custo de saída – 5% (do valor total nos primeiros 18 meses)
- Comissão de gestão – 2.35%
- Comissão de transação – 0%
- Comissão de performance – 0%
Embora tenha custos mais baixos, mesmo assim são bastante altos em comparação com ETFs e por isso, deves pensar bem se vale a pena incorrer no risco de investir nestes fundos de mercado privado, pois têm uma série de 🚩red flags e custos altos.
Outra coisa que deves ter em conta, é que o gestor do fundo pode recusar o levantamento do dinheiro do fundo. No KID está essa informação, que abaixo reproduzo, para alertar desta situação. Além de terem pouca liquidez, também podem recusar retirada de capital ou adiar durante um tempo indefinido. Por isso, deves considerar mesmo se estás disposto a correr esse risco.

A esta altura, já deves ser capaz de poder tomar uma decisão de se vale a pena ou não investir num fundo de mercado privado da corretora Trade Republic. De acordo com o teu perfil de risco, deves analisar se podes incorrer nesse risco ou existem melhores alternativas.
Qual é a minha opinião honesta dos fundos de mercado privado da Trade Republic?
À primeira vista pode parecer algo revolucionário e até foi anunciado com pompa e circunstância pela Trade Republic no seu primeiro keynote, ao estilo das apresentações da Apple, no entanto, na minha opinião honesta é algo que não vale a pena e em todo o site e na app estão sempre a mencionar o objetivo de 12% por ano, para atrair novos investidores.

É interessante referir que a TR em todos os momentos menciona no objetivo de 12% por ano, para indicar que é uma alternativa ao S&P500 ou ao MSCI World. A média de retorno anual do S&P500 está nos 10% / ano e a do MSCI World nos 8% / ano, pelo que colocaram um pouco acima o objetivo para atrair mais investidores, no entanto, da mesma forma que mencionam os 12% / ano, não referem que são fundos com falta de liquidez e pode durar meses para conseguir sair, com potenciais perdas.
De uma forma resumida, estas são as 🚩 red flags dos private markets que deves ter em conta:
- Liquidez – Segundo o KID, os resgates são trimestrais e dependem da aprovação do gestor do fundo. Os fundos sugerem um investimento mínimo de 5 anos, no entanto, em caso de imprevisto financeiro poderás ter problemas a aceder ao dinheiro. Para tu saíres, tem que haver novos investidores a comprar a tua posição.
- Proteção ao investidor – É zero. Não há garantia de cobertura por mecanismos de indemnização. Seja da CMVM, do Banco de Portugal ou de qualquer outra entidade semelhante de outro país.
- Transparência – Muito limitada. Os fundos investem em ativos privados escolhidos pelo gestor. Não tens acesso de forma clara qual foi a valorização diária, semanal ou mensal. No site do fundo ou na app da Trade Republic podem indicar o nome da empresa, mas mesmo assim é muito vago.
- Custos – Altos. Ambos os fundos disponíveis têm custos altos. Os fundos têm que ter uma performance espetacular para conseguir cobrir os custos e ainda gerar o retorno objetivo de 12% por ano. Basta haver um ano em que não atinge esse objetivo ou termina com perdas, para os custos se amontoarem e darem cabo do retorno a longo prazo. É o efeito dominó.
- Risco de seleção – O risco vai estar na maneira como os fundos identificam e selecionam as oportunidades. As estratégias complexos, em momentos adversos do mercado, podem significar perdas elevadas.
Tens que ter em conta que este tipo de produto raramente compensa para investidores de retalho. O prémio do produto vai na sua maior parte, para a gestora e é uma forma de permitir que investidores institucionais que tiveram acesso em primeiro lugar à oportunidade, tenham liquidez para poder sair das suas posições caso não exista uma venda dos ativos. Vais ficar com custos absurdos, baixa liquidez e um risco elevado.
Um portefólio simples com um ETF do S&P500 e ações com potencial de crescimento a médio prazo, continuam a ser uma mais eficiente para crescer a conta a longo prazo. Tudo isto com custos muito mais baixos e perto de 0€, além de liquidez.
Sendo a Trade Republic, uma corretora que construiu um ecossistema em torno da narrativa do fundo de emergência, ao repassar o juro do BCE aos seus clientes, dar um passo para os fundos de mercados privados é algo arriscado e oposto do seu público-alvo. Vai ser interessante ver como corre nos próximos meses.
Uma coisa que não entendo e muitos clientes da Trade Republic também não entendem, é porque não melhoraram o suporte ao cliente. Em vez disso, preferiram disponibilizar este novo produto.

Em todas as redes sociais da corretora, podes encontrar milhares de comentários de pessoas a pedir um apoio ao cliente melhor. Quase que choram por isso. Se não for resolvido, em breve podem perder milhares de clientes.
Bons investimentos!







